segunda-feira, 2 de abril de 2012

Três motivos para Morrer

Felippe Amorim


A morte sempre foi e sempre será algo estranho para o ser humano. Nenhuma pessoa em sã consciência busca a morte para si. Até quem comete suicídio, geralmente, está em um estado mental em que não avalia bem as suas ações.

Não há dúvida que se pudéssemos evitar a morte o faríamos com todas as nossas forças. A ciência todos os dias busca fórmulas de prolongar o período de vida dos seres humanos e alguns cientistas mais ousados até buscam desenvolver o “elixir da juventude eterna”.

A verdade é que nenhum ser humano tem a capacidade de prolongar um minuto sequer de sua vida.

Há muito tempo atrás passou por este planeta um ser humano muito especial. Ele foi o único humano que tinha a capacidade de evitar a própria morte. Jesus Cristo poderia escolher não morrer, mas ele tinha bons motivos para optar pela morte. A Bíblia nos apresenta três motivos que levaram à morte de Cristo.



Hostilidade dos líderes nacionais judeus



            O primeiro motivo foi a hostilidade dos líderes religiosos de sua época. Eles não admitiam a “concorrência” de Jesus. Em vários momentos percebemos que eles estavam prontos a assassinar o Mestre.

            Em Marcos 3:6 lemos assim: “Retirando-se os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra ele, em como lhe tirariam a vida (ARA)”.

            Os fariseus observavam Jesus em uma sinagoga, mas não estavam interessados em aprender com Ele. Queriam algum motivo pelo qual poderiam acusa-lo. Jesus curou a mão ressequida de um homem e muitos ficaram impressionados com Seu poder e decidiram segui-lo, mas, ao invés de os fariseus saírem da sinagoga renovados espiritualmente, saíram para planejar um assassinato. O coração duro dos fariseus apenas continha ódio contra Cristo.

            Outro episódio que nos mostra a intenção dos líderes judaicos em relação a Cristo está registrado em Lucas 4:16-30. Novamente Jesus estava na sinagoga, dessa vez o Senhor estava lendo e explicando as escrituras para os presentes. Muitos estavam ali, mas com o coração longe de Deus. Isso nos leva a pensar que estar na igreja não significa estar salvo. É preciso estar na igreja e em harmonia com Cristo.

            Nesse episódio Jesus apresenta-se como cumprimento das profecias messiânicas de Isaías, mas ao invés de alegria, aquela mensagem gerou sentimentos de incredulidade nas pessoas e Jesus as repreendeu com dois exemplos: Elias e a viúva de Sarepta e Naamã o general curado da lepra através de Eliseu. Dois estrangeiros que tiveram mais fé que os nativos do povo escolhido.

            Com o coração endurecido o povo não aceitou a repreensão de Cristo. “E, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao cimo do monte sobre o qual estava edificada, para, de lá, o precipitarem abaixo” (ARA) (v. 29).

O ódio dos líderes judaicos era um forte indício de que Jesus morreria em pouco tempo.



Estava de acordo com as escrituras



            A vida de Jesus Cristo é um exemplo de submissão à palavra de Deus. Tudo o que Ele fez e faz está de alguma forma relacionado com as Escrituras Sagradas. Desde criança ele gostava de tratar dos negócios do Pai (Lc. 2:49).

            O segundo motivo que fazia da morte de Jesus um evento certo e próximo eram as evidências textuais. Ele sabia o que as escrituras diziam a respeito de sua morte e o fazia feliz cumprir este propósito.

            Diversas vezes Jesus menciona sua disponibilidade em cumprir a vontade de Deus. Em Marcos 14:21 Jesus disse: “Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!” (ARA).

          Encontramos outra autodeclararão de morte em Lucas 24:25,26: “Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?” (ARA). No mesmo evangelho no capítulo 22:37 há outra declaração: “Pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito: Ele foi contado com os malfeitores” (ARA).

Não poderíamos deixar de fora o capítulo 53 de Isaías, pois, sem dúvida, é o que melhor retrata o sofrimento e o propósito da morte de Cristo.

Portanto, o testemunho das escrituras a respeito do ministério de Cristo era outro motivo para que ele tivesse certeza de Sua morte.



Ele escolheu morrer



Os dois motivos apresentados anteriormente não são tão fortes e determinantes quanto o terceiro: Jesus escolheu morrer. Esta é uma expressão que deveria nos fazer parar para pensar. Jesus tinha a opção de não morrer, mas por amor a cada ser humano, do mais consagrado ao mais profano, ele decidiu sofrer a pior morte. “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc. 19:10 - ARA).

            Outra linda declaração está em Marcos 10:45: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (ARA).

            Jesus gostava de servir e o maior serviço que Jesus prestou à humanidade foi morrer. Nós estávamos sequestrados, reféns de Satanás, mas Jesus nos resgatou com seu sangue. Sem dúvida, foi o maior serviço já prestado à humanidade.

            Tenho, porém, um batismo com o qual hei de ser batizado; e quanto me angustio até que o mesmo se realize! (Lc. 12:50 - ARA). Este é um importante versículo, pois nos ajuda a perceber que toda esta disponibilidade de Cristo para morrer não era sem sofrimento. Mas mesmo diante do medo da morte (estranha à natureza humana de Cristo), Ele se dispunha a submeter-se a ela.

Jesus “escolheu uma vida de sofrimento, uma ignominiosa morte e, da maneira apontada pelo Pai, tornar-Se-ia o governador legítimo dos reinos da Terra, tendo-os nas mãos como possessão para sempre”. (EGW. Deserto da Tentação, 65).

“O divino Filho de Deus deixou o trono do Céu e por nós deu a Sua vida, tornando-Se pobre por nossa causa. Revestiu Sua divindade com a humanidade. Agora, em retribuição, está você disposto a negar o eu e seguir seu Salvador? Ah, não desperdice os poucos momentos que lhe restam, buscando honras humanas e perdendo assim o precioso privilégio da vida eterna! (EGW. Manuscrito 40, 1886).

“Cristo foi tratado como nós merecíamos, para que pudéssemos receber o tratamento a que Ele tinha direito. Foi condenado pelos nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que fôssemos justificados por Sua justiça, na qual não tínhamos parte. Sofreu a morte que nos cabia, para que recebêssemos a vida que a Ele pertencia. "Pelas Suas pisaduras fomos sarados." Isa. 53:5. (EGW. O Desejado de Todas as Nações, 25).



Gratidão por tão grande favor



Depois de analisarmos tudo isso a única atitude diante de tanto amor deve ser uma gratidão irrestrita. Merecíamos a morte, mas recebemos a vida e ainda temos o privilégio de termos uma comunhão plena com Ele. “Pela Sua vida e morte, Cristo operou ainda mais do que a restauração da ruína produzida pelo pecado. Era o intuito de Satanás causar entre o homem e Deus uma eterna separação; em Cristo, porém, chegamos a ficar em mais íntima união com Ele do que se nunca houvéssemos pecado. (EGW. O Desejado de Todas as Nações, 25). Para nós, resta viver uma vida de obediência em resposta ao amor tão grande de Cristo!

quarta-feira, 14 de março de 2012


Ela já Falava
Felippe Amorim



Vivemos em um momento da história do adventismo em que muitas pessoas têm dado pouca ou nenhuma atenção aos escritos inspirados dados por Deus a Ellen White. É comum até vermos membros da igreja se rebelando contra estes escritos.

            Alguns afirmam que creem no Espírito de Profecia, mas se comportam como se não cressem, ou mesmo, como se ele não existisse.

            Deus já deu muitas provas de que os escritos de Ellen White são inspirados por Ele e nesta semana mais uma vez pudemos nos deparar com uma prova de que aquelas palavras escritas no século XIX são muito atuais e verdadeiras. Acompanhe a seguir uma reportagem de um renomado jornal e algumas citações do Espírito de Profecia:



“Consumo diário de carne aumenta risco de morte precoce, diz pesquisa.


Para diminuir esses riscos, pesquisadores recomendam substituir as porções de carne vermelha por peixe, frango, verduras e legumes ricos em ferro como feijão, lentilha e espinafre.



Um estudo realizado em uma das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos concluiu que o consumo diário de carne vermelha aumenta o risco de doenças graves - que podem levar à morte precocemente.

Foram quase 30 anos acompanhando 120 mil pessoas para chegar a essa conclusão: o consumo de carne vermelha pode aumentar o risco de morte precoce.

O estudo da universidade de Harvard mostrou que comer uma porção de carne vermelha diariamente eleva a possibilidade de morrer mais cedo em 13% e aumenta o risco de desenvolver doenças do coração, câncer e dois tipos de diabetes.

E a porção que os cientistas consideraram nesse estudo não é grande não. Apenas 85 gramas de carne. E se essa carne for processada, os riscos são ainda maiores.

Linguiça, salsicha, hambúrguer. Podem aumentar a mortalidade prematura em 20%.

Nós conversamos pela internet com o coordenador da pesquisa, doutor An Pan.

Ele explica que a carne tem gordura saturada, que prejudica as artérias, e que a processada oferece ainda mais risco para a saúde porque possui conservantes como o nitrato de sódio que pode elevar a pressão do sangue.

Para diminuir esses riscos os pesquisadores recomendam substituir as porções de carne vermelha por peixe, frango, verduras e legumes ricos em ferro como feijão, lentilha e espinafre.

“Mas isso não significa que todos nós agora precisamos virar vegetarianos”, diz o pesquisador.

Segundo ele, se o consumo de carne fosse reduzido para pelo menos meia porção ao dia, entre 7% e 9% das mortes de pessoas acompanhadas pelo estudo poderiam ter sido evitadas.

Diminuir o consumo para duas ou três vezes por semana já seria um bom começo diz ele. Eu gosto de um bom churrasco. Mas o importante é conseguirmos ter moderação e comer com qualidade”.



Agora veja o que Deus revelou-nos através de Ellen White no século XIX, muito anos antes da pesquisa de Harvard:



“Depois do dilúvio o povo comeu à vontade do alimento animal. Deus viu que os caminhos do homem eram corruptos, e que o mesmo estava disposto a exaltar-se orgulhosamente contra seu Criador, seguindo as inclinações de seu coração. E permitiu Ele que aquela raça de gente longeva comesse alimento animal, a fim de abreviar sua vida pecaminosa. Logo após o dilúvio o gênero humano começou a decrescer rapidamente em tamanho, e na extensão dos anos” (Spiritual Gifts, vol. 4, págs. 121 e 122).



Muitos dos pacientes de nossos hospitais têm raciocinado por si mesmos quanto à questão do alimento cárneo, e no desejo de manter as faculdades mentais e físicas livres de sofrimento, têm deixado a carne fora de sua mesa. Têm assim obtido alivio aos males que lhes torturavam a vida. Muitas pessoas não pertencentes a nossa fé se têm tornado adeptas da reforma de saúde porque, do ponto de vista de seu interesse, viram a coerência de assim proceder. Muitos se têm colocado conscienciosamente ao lado da reforma de saúde no regime alimentar e no vestuário. Hão de os adventistas do sétimo dia continuar a seguir costumes nocivos? Não darão eles ouvidos à recomendação: "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus"? I Cor. 10:31. (Manuscrito 64, 1901.)



Cânceres, tumores e toda enfermidade inflamatória são causados em grande parte pelo alimento cárneo. Segundo a luz que Deus me deu, a predominância do câncer e dos tumores é em grande parte devida ao uso abundante de carne de animais mortos. (Testemunho Inédito, pág. 7).



O alimento cárneo também é prejudicial. Seu efeito, por natureza estimulante, deveria ser argumento suficiente contra o seu uso, e o estado doentio quase geral entre os animais torna-o duplamente objetável. Tende a irritar os nervos e despertar as paixões, fazendo assim com que a balança das faculdades penda para o lado das propensões baixas. (Educação, pág. 203.)



A abstinência do alimento cárneo beneficiará os que assim procederem. A questão do regime é um assunto de vivo interesse. ... Nossos hospitais são estabelecidos para um fim especial, para ensinar ao povo que não vivemos para comer, mas comemos para viver. (Carta 233, 1905.)



Há mais de trinta anos, eu me encontrava muitas vezes em grande fraqueza. Muitas orações eram feitas em meu favor. Pensava-se que o alimento cárneo me daria vitalidade, e este era, portanto, meu principal artigo de alimentação. Em vez de adquirir forças, porém, tornei-me cada vez mais fraca. Desmaiava muitas vezes de exaustão. Veio-me luz, mostrando o dano que homens e mulheres estavam causando às faculdades mentais, morais e físicas pelo uso da carne. Foi-me mostrado que toda a estrutura humana é afetada por esse regime, que por ele o homem fortalece as propensões animais e o desejo de bebidas alcoólicas. Cortei imediatamente a carne de meu cardápio. Depois disto fui por vezes colocada em situações em que me senti compelida a comer um pouco de carne. (Carta 83, 1901.)



            Existem muitas outras citações a respeito desse assunto, mas estas são suficientes para tirarmos algumas conclusões importantes:



1 – Deus deixou reveladas muitas coisas através de seus profetas, canônicos e não canônicos, que estão sendo descobertas pela ciência nos últimos anos.

2 – Muitas vezes não damos crédito às revelações divinas dadas a Ellen White, mas quando ouvimos a ciência falando a mesma coisa paramos para pensar a respeito. Muitos preferem dar ouvidos a homens a dar ouvidos às revelações divinas.

3 – Há muito tempo Deus recomenda, através de Ellen White, que eliminemos a carne da nossa dieta e a ciência tem confirmado isso a cada dia.

4 – Precisamos dar mais atenção aos escritos do Espírito de Profecia, pois eles revelam a vontade de Deus para o seu povo em muitos aspectos da vida cristã.



            Não foi por acaso que Deus nos orientou: “Crede no Senhor, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis” (2 Crônicas 20:20). Portanto, oremos para que Deus nos ajude a estudar mais o Espírito de Profecia que é uma riquíssima fonte de conhecimento deixada por Ele.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Se eu não atrapalhar, Deus vence por mim!

Na conquista de Jericó foi prefigurada a vitória sobre nossos problemas.


Felippe Amorim


É comum assistirmos reportagens sobre implosões de prédios nos telejornais. Chama-nos atenção a forma como uma grande construção vai ao chão sem danificar os prédios vizinhos. Sem dúvida é uma demonstração de muita perícia. Porém, certamente não se implode um grande prédio sem o uso de explosivos. Dependendo das dimensões do prédio, muitos quilos de explosivos são usados.

Na Bíblia encontramos uma interessante “implosão”. Mas ela foi feita sem o uso de explosivos. O elemento que deu início à queda foi um grito coletivo do povo judeu. Nos dias de hoje ninguém confiaria que um grito levaria um prédio ao chão. Nos dias bíblicos isso também era impossível, é por isso que a queda do muro de Jericó envolve grandes lições sobre o poder de Deus.

Aquele evento foi registrado assim: “Ora, Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos filhos de Israel; ninguém saía, nem entrava. Então, disse o Senhor a Josué: Olha, entreguei na tua mão Jericó, o seu rei e os seus valentes.Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifre de carneiro  adiante da arca; no sétimo dia, rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. E será que, tocando-se longamente a trombeta de chifre de carneiro, ouvindo vós o sonido dela, todo o povo gritará com grande grita; o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá nele, cada qual em frente de si”( Js. 6:1-5).



O Cenário


O povo de Israel havia passado o Jordão há pouco tempo, esse evento marcava o início da conquista da Terra Prometida. Durante os últimos quarenta anos todos sonhavam com aquele momento, mas por causa da rebeldia do povo tiveram que andar todos aqueles anos pelo deserto.

A terra de Canaã estava ocupada por povos beligerantes e por isso a conquista não seria fácil. Por esse motivo, Deus precisava estar à frente do Seu povo. Em Sua onisciência Deus sabia que, após a conquista, o povo poderia atribuir a si mesmo a conquista da terra, esquecendo-se de que só conseguiram por causa de Deus.

Como um antídoto contra a autossuficiência Deus providenciou os eventos da conquista de Jericó. O Senhor queria ensinar que as vitórias seriam conquistadas por Ele. A parte do povo seria apenas não atrapalhar.


A queda do muro



O relato bíblico diz que Jericó estava “rigorosamente” fechada. O autor, inspirado por Deus, queria deixar bem claro que era humanamente impossível aquela conquista. Possivelmente as pessoas olharam para Jericó e se perguntaram: “como faremos para conquista-la? É impossível!”

Deus então disse a Josué: “entreguei nas tuas mãos Jericó”. Aqui está o segredo. Deus deu garantia prévia da conquista. Cheio de confiança nas palavras de Deus, Josué transmitiu a mensagem ao povo.  Talvez eles tenham pensado assim: “certo, Deus nos dará a vitória, então vamos guerrear!”. Mas Deus queria ensinar ao povo que Ele poderia dar a vitória sem necessitar da força e inteligência humana.

As recomendações de Deus certamente puseram dúvidas na cabeça de muitos dos israelitas. Eles deveriam dar uma volta em silêncio por dia na cidade durante seis dias. No sétimo dia deveriam dar sete voltas e um grito. “Que Jeito estranho de conquistar uma cidade!”, devem ter pensado. As instruções de Deus excluíam a força e sabedoria humana.

A procissão diária com a arca da Aliança, a presença dos sacerdotes e o toque das trombetas fizeram com que a ação feita pelos israelitas reunisse todas as características de uma cerimônia religiosa. Aquela conquista não seria militar, seria religiosa. O povo deveria aprender a submeter-se à vontade do Senhor irrestritamente e confiar em Suas soluções.

Bem, então qual seria a participação humana naquela conquista? Havia algumas coisas que cabiam ao homem fazer. Primeira coisa: eles deveriam ter confiança no líder (apenas Josué ouviu a voz de Deus). Segundo: Deveriam obedecer irrestritamente a Deus. Terceiro: precisariam de uma fé inabalável para dar todas aquelas voltas na cidade. Quarto: precisariam exercer paciência e esperarem pelo tempo de Deus.

Como os seres humanos fizeram a sua parte, Deus cumpriu a dEle e resolveu o problema sem precisar de força humana. O muro foi derribado. Não há dúvidas de que foi o poder de Deus que levou aquela construção ao chão. A voz humana não seria suficiente para derrubá-lo. Foi uma grande demonstração do poder de Deus.


O que atrapalha as vitórias do povo de Deus?



          Na sequência do relato bíblico podemos ler outro episódio que se opõe à grande vitória em Jericó. Na tentativa de conquistar a cidade de Ai, que era Muito menor que Jericó, o povo sofreu uma derrota vergonhosa. A Bíblia registrou assim: “Enviando, pois, Josué, de Jericó, alguns homens a Ai, que está junto a Bete-Áven,  ao oriente de Betel, falou-lhes, dizendo: Subi e espiai a terra. Subiram, pois, aqueles homens e espiaram Ai. E voltaram a Josué e lhe disseram: Não suba todo o povo; subam uns dois ou três mil homens, a ferir Ai; não fatigueis ali todo o povo, porque são poucos os inimigos. Assim, subiram lá do povo uns três mil homens, os quais fugiram diante dos homens de Ai” (Js 7: 2-4).

          Depois de uma conquista miraculosa e grandiosa, o povo de Deus foi vergonhosamente derrotado por uma cidade muito mais fraca que Jericó.

          Podemos destacar pelo menos dois elementos que determinaram aquela derrota. O primeiro deles foi autoconfiança exagerada. O povo achava que era tão forte que nem precisava da ajuda de Deus ou mesmo do exército inteiro para conquistar Ai. Muito iludidos eles estavam!

          Além de Confiança própria, havia mais um elemento envolvido naquela derrota: pecados escondidos. Deus havia ordenado que ninguém guardasse para si despojos de guerra na conquista de Jericó, mas um israelita desobedeceu.

            Acã contaminou todo o acampamento com seu pecado e tentou se justificar assim: “Quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma barra de ouro do peso de cinqüenta siclos, cobicei-os e tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata, por baixo” (Js. 7:21).

Na fala de Acã podemos perceber os passos que ele deu até chegar ao pecado. Foram quatro passos: Vi, cobicei, tomei, escondi. Muitos dão estes mesmo passos todos os dias.

A cobiça foi o que derrubou Acã. Ele queria ter posses (capa) e dinheiro ilícito (prata e ouro). Aqui está a chave para a derrota do povo. Deus não pôde dar a vitória porque entre os israelitas havia autoconfiança e pecados escondidos. Estes dois fatores impediram o povo de receber a vitória do Senhor.


Preciosas Lições



Esses momentos que os israelitas viveram têm grandes lições para cada um de nós cristãos do século XXI. Todos nós temos desafios e problemas que precisamos vencer. Alguns, como Jericó, são aparentemente insuperáveis. Outros como Ai, são aparentemente fáceis de resolver.

Podemos aprender lições práticas com a experiência em Jericó. Deus pode resolver nossos problemas sem necessitar da nossa força, milagrosamente. Mas há uma parte que é nossa: Primeiro: Confiança nos líderes. Isso inclui os pastores e anciãos que são humanos como todos nós, mas foram designados por Deus para liderar o povo. Confiar nos líderes também inclui confiar nos escritos de Ellen White que foi uma das pioneiras desta igreja e escolhida por Deus para orientar Seu povo. Segundo: obediência às ordens de Deus. Assim como o povo obedeceu às recomendações “estranhas” de Deus em relação à conquista de Jericó, nós muitas vezes receberemos ordens “estranhas” de Deus, mas devemos obedecê-las sem vacilar. Terceiro: Fé inabalável é essencial. Quarto: paciência para esperar o tempo de Deus.

Mas o episódio de Ai também nos traz lições importantes. Podemos atrapalhar as vitórias de Deus em nossa vida. Impedimos que Deus vença em nossa vida quando temos uma exacerbada confiança própria. Podemos e precisamos ter autoconfiança, mas não a ponto de querer excluir Deus de nossas decisões. O sábio Salomão escreveu: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv. 3:5).

Outra coisa que aprendemos com a fracassada conquista de Ai é que nossos pecados escondidos atrapalham Deus de agir em nossa vida. Perceba que o problema não está em ser pecador, todos o somos. O problema está em escondermos e cultivarmos nossos pecados. Pecado escondido é qualquer pecado que acariciamos e do qual não queremos nos soltar.

Na história bíblica o pecado específico é a cobiça, ou seja, a quebra do décimo mandamento. Caímos neste pecado quando retemos dízimos e ofertas, eles pertencem a Deus e não a nós. Também cobiçamos quando procuramos riquezas em detrimento do relacionamento com Deus. Alguns vivem num ritmo tão frenético em busca de riquezas que se esquecem de separar tempo para a comunhão pessoal com Deus. Cobiça ou qualquer outro pecado escondido pode impedir que o Senhor exerça suas vitórias em nossa vida.
 

Solução


Graças a Deus por Ele não nos deixar sem solução para este problema. A continuação da história bíblica de Acã nos ensina que se houver confissão genuína dos pecados escondidos eles poderão ser perdoados. No caso do Acã ele só confessou porque foi descoberto. Era tarde demais. Confissão imediata, agora mesmo, é o primeiro passo que precisa ser dado. O segundo passo é o abandono imediato do pecado e a total submissão a Deus.

Quando a autoconfiança e o pecado escondido foram retirados do meio do povo. Ai foi facilmente conquistada, pois Deus venceu por eles. Quando a autoconfiança e os pecados escondidos forem retirados da nossa vida, então poderemos contar com as vitórias do Senhor dos exércitos vencendo as nossas guerras.

Hoje é momento de confissão, abandono e muitas vitórias!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


Vinícius Mendes de Oliveira

Pastor em Vila Velha - ES


“SÊ PROPÍCIO A MIM, PECADOR”

Deus espera dos que se aproximam dEle humildade e desejo sincero por salvação.

                

INTRODUÇÃO

 A parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18:9-14) apresenta um emblemático quadro de um homem que se perde e de outro que se salva. Os dois destinos opostos são determinados pelo senso de pecaminosidade que os personagens demonstram. O fariseu era presunçoso e arrogante enquanto que o publicano era dependente e humilde. Jesus contou essa parábola porque nela encontram-se prefigurados perdidos e salvos. O Senhor queria ensinar que a salvação é gratuita e não pode ser adquirida por obras humanas. Assim, de forma muito simples e direta, a parábola do fariseu e do publicano ensina como o ser humano pode ser salvo e adverte a todos do perigo de procurar a salvação fora dos méritos de Cristo.

Portanto, é necessário que façamos uma análise com atenção dessa bela parábola de Jesus a fim de extrairmos dela lições espirituais que nos ajudem a não cometer os erros do orgulhoso fariseu e aprendermos com o humilde publicano o jeito certo de nos aproximarmos de Deus.

A ATITUDE DO FARISEU

Há alguns detalhes na oração do fariseu que evidenciam sua confiança e justiça próprias como também desprezo aos outros. Em primeiro lugar é importante lembrar que tanto a oração do fariseu como a do publicano são ambientadas no pátio do Templo, onde, pela manhã e pela tarde, por conta dos sacrifícios que se ofereciam nesses horários, o povo se reunia para adoração pública. O verso onze revela o fato de que, embora houvesse ali muitas pessoas, o fariseu se destaca do grupo, se posta sozinho, em pé, e faz uma oração, provavelmente audível. Essa atitude de separação do fariseu motiva-se pelo fato de que ele cria que a presença de pecadores ali poderia contaminá-lo. É provável que o ícone da impureza “dos outros homens” seja o publicano que também está por ali.

Dessa forma, com sua oração, o fariseu orgulha-se de sua condição deixando patente a contaminadora presença daquele miserável publicano. O fariseu, em sua oração, usa o nome de Deus como vocativo, mas o foco de sua oração não está em Deus, mas em si mesmo. Ele dá graças não por aquilo que Deus é ou faz, mas pelo que ele, o fariseu, não é e pelas boas obras que pratica. Ele dá graças a Deus pela justiça própria que ostenta, fazendo uma contundente comparação de si mesmo e suas virtudes com os outros, especialmente o miserável publicano cheio de pecados.

O Senhor disse que essa parábola foi contada porque “alguns confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros” (Lucas 18:9). Nesse resumo, vemos o problema central que determinou a perdição do fariseu: justiça própria e consequente desprezo aos outros. Essa é a fórmula da perdição. A verdade é que confiança e justiça próprias mascaram a realidade de que a pessoa está perdida, desviando seus olhos do Salvador, focando nas imperfeições de quem está à volta. “Nossa única segurança está na constante desconfiança de nós mesmos e na confiança em Cristo” (Parábolas de Jesus, p. 155).

Justiça própria é resultado de uma errônea compreensão a respeito de como somos salvos. A salvação é um presente de Deus. Não é adquirida ou mesmo mantida pelas obras humanas, sobretudo porque estas, muitas vezes representam o que se passa no exterior do homem e são incoerentes com o coração. Significa dizer que através da disciplina humana alguém pode deixar de fazer coisas ruins e praticar boas coisas, mas não ter o problema do egoísmo interno resolvido. Na verdade, o senso de justiça própria leva as pessoas a fazerem as coisas certas pelos motivos errados. Esse desvio leva à desobediência a Deus, já que, quem passa determinar o que é certo ou errado não é mais o Senhor, mas o próprio coração humano.

É possível nesse momento propor uma relação entre a desastrosa oração do arrogante fariseu e a oferta de Caim, que levou vegetais para a adoração, porque era agricultor. Deus não havia pedido isso, mas era isso que seu coração pedia para entregar. É importante lembrar que o sistema levítico previa ofertas de alimentos vegetais, mas estas não eram para expiação, pois “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hebreus 9:22). As ofertas de vegetais, ou primícias, eram prescritas para que o ofertante pudesse expressar gratidão a Deus (Deuteronômio 26:10), mas não serviam para expiação. É interessante notar que o fariseu inicia sua oração se referindo a uma suposta gratidão: “Ó Deus, graças te dou...” da mesma forma que Caim, que apresentou uma oferta dos frutos da terra usada para demonstrar gratidão. Isso indica que Caim se aproximou de Deus não sentindo sua necessidade de salvação, mas “apresentou sua oferta como um favor feito a Deus, pelo qual esperava obter a aprovação divina”( PP. 72). Foi exatamente isso que o fariseu fez. Ele “agradeceu” pelo privilégio de não ser pecador – logo, não carecido da graça de Deus, segundo seu pensamento – e listou suas obras a fim de que elas fossem aplaudidas por Deus e pelos homens, colocando-o num patamar superior aos outros.

A oferta de Caim e a suposta gratidão do fariseu desviaram o foco de ambos do propósito de Deus para o ser humano. Os dois acharam que poderiam fazer alguma coisa para agradar a Deus. Estavam exercendo uma religião pagã, tentando comprar o favor do Senhor. O que eles não sabiam é que Deus fez o homem propício a Si por Seu próprio ato de amor ao entregar Seu filho para morrer, substituindo a morte dos pecadores. Era isso que Deus queria ensinar a Caim e Abel; era isso que estava sendo ensinado no pátio do Templo quando o fariseu e o publicano foram até lá com o propósito de orar (Lucas 18:10)

ATITUDE DO PUBLICANO

De repente a cena muda de foco na parábola. Jesus concentra-se no outro personagem: o publicano. A postura desse homem como também sua oração resumem a atitude de uma pessoa que vence na vida espiritual. O verso treze revela que ele também ficou afastado das outras pessoas, mas seu motivo era totalmente contrário ao do fariseu. Enquanto este se orgulhava de sua condição, o coletor de impostos não se considerava sequer apto para estar próximo às demais pessoas. Seu pecado está patente. Ele era exatamente aquilo de que havia sido acusado. Não havia como esconder. Ele estava ali em busca de misericórdia.

O mais importante, na verdade, era o que estava acontecendo no Templo naquele momento; o que motivava aquela reunião de oração. Aquela era a hora do sacrifício. Quem se dirigia ao pátio do Templo naquele momento visualizaria uma cena estranha e profundamente simbólica. No centro do pátio, havia o altar de sacrifícios, os adoradores então se aglomeravam em torno desse móvel e podiam ver um cordeiro despedaçado sobre o altar e o sangue escorrendo do corpo inerte do animal. Logo o animal seria queimado e uma fumaça densa tomaria conta do ambiente. O cordeiro esquartejado no altar representava a morte substitutiva de Cristo por conta de nossos pecados. Essa cena era a evidência de que o pecado é real na vida de todo ser humano e de que todos precisam dessa morte substitutiva.

O que determinou a vitória do publicano foi contemplar essa cena, reconhecendo seu pecado. O texto diz que ele não levantou os olhos aos céus. O fariseu absorto em si mesmo não pode contemplar o sacrifício, tampouco entender seu significado. Na verdade não se sentia necessitado daquele sacrifício. Estava trazendo sua própria oferta, como fez Caim.

O texto diz que o publicano, por outro lado, clamava pela propiciação divina. Reconhecia que a Lei de Deus exigia sua morte e que seu pecado causava ira em Deus. Contudo, clamou para que aquele sacrifício oferecido fosse também por ele. A sua oração é uma síntese do Salmo 51, no qual Davi reconhece seu terrível pecado, clama por misericórdia e por transformação.

O publicano orava batendo no peito. Esse gesto só era usado em ocasiões de extremo desespero como o luto, por exemplo. Os judeus piedosos costumavam cruzar as mãos sobre o peito, mas bater no peito não era corriqueiro na oração. Dificilmente esse ato era praticado por homens. Era mais comum em mulheres em situação de total desespero. Um antigo comentário judaico sobre Eclesiates 7:2 lança luz sobre esse inusitado gesto do publicano:

“R. Mana disse: E os vivos colocarão isto no seu coração; estes são os justos que colocam a sua morte contra o seu coração; e por que eles batem sobre o coração? Como a dizer: ‘Tudo está aí,” (nota:... os justos batem sobre o coração como fonte de anseio pelo mal.) (Midrash Rabbah, Ecl. VII. 2,5, Sonc., 177). (Apud, Kenneth Bailey, As Parábolas de Lucas, p. 337)

Ao bater no peito, portanto, ele dizia “eu não quero esse coração.” Ele reconhecia que “do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mateus 15:19). Dessa maneira, manifestou o desejo de que Deus lhe fizesse um transplante de coração para que ele deixasse de ser aquilo que tinha sido (Jeremias 31:33).

Ao fazer sua oração, o publicano pede que Deus o cubra, que a justiça de Cristo esteja entre ele e a ira divina e que ao mesmo tempo essa justiça seja impregnada em si e que ele seja confundido com Jesus, recebendo o tratamento que o Senhor merece. Ele usa a palavra “propício”, que é uma direta referência ao propiciatório – móvel do Templo que cobria arca da aliança, simbolizando a interposição que Cristo faz entre o pecador arrependido e a santidade de Deus. Assim, o propiciatório simbolizava a imputação dos méritos de Cristo sobre o pecador, fazendo com que o pecador não fosse visto como tal por Deus, mas que o Pai visse Jesus, porque este se coloca entre a santidade de Deus e o pecador. O propiciatório também simbolizava a comunicação das virtudes de Cristo para o pecador arrependido, uma vez que todos aqueles que recebem a graça da propiciação manifestarão na vida o caráter de Jesus.

Portanto, quando o publicano clama por propiciação está pedindo a justiça de Cristo em sua vida. Essa justiça que substitui a morte do pecador e o habilita a ser como Cristo. Ou seja, a propiciação, transforma completamente o caráter. Assim, o publicano não está contentado com uma religião externa, aparente. Ele deseja uma religião profunda, proveniente do coração. Ele evoca as graças da nova aliança, que segundo Jeremias 31:33, configura-se da seguinte forma: “Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel depois daqueles dias diz o Senhor: Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei, eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.”

Na oração de Davi no Salmo 51, a qual o publicano está se referindo, no verso 10, lemos: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.” O clamor de alguém realmente arrependido não é apenas por perdão, mas também por santificação, por uma fé inabalável. Da mesma forma que o perdão é divino, o poder para ter uma vida santa também o é. O verbo que aparece na oração de Davi é criar (bara), o qual tem apenas Deus como sujeito. É o mesmo verbo usado para se referir a Deus como criador do mundo físico. Deus criou todas as coisas através do intercurso de Sua Palavra. Para criar, Deus apenas precisa falar. Na criação de um novo coração no ser humano, não é diferente. Deus fala e o que não existe passa a existir. Não importa quão pecador alguém seja, quão distante tenha ido e tenha se afastado de Deus, a Palavra de Deus é capaz de fazer qualquer pessoa se tornar semelhante a Jesus, de forma milagrosa.

CONCLUSÃO

Deus deseja ardentemente, portanto, efetuar essa obra em cada um de nós. No entanto, isso só será possível se o pecador se aproximar do Senhor com humildade, reconhecendo sua terrível condição e focando-se apenas nos méritos do sacrifício expiatório de Cristo. O fariseu não foi justificado porque, ao contrário disso, seus olhos estavam voltados para suas “boas obras” em comparação com os pecados dos outros. O publicano, por outro lado, reconheceu sua indignidade e só teve voz para clamar por propiciação uma vez que entendeu que a única esperança que tinha estava na morte substitutiva do cordeiro.

Foi por isso ele desceu justificado. No verso 14, não se usa mais a palavra publicano. Quando aquele homem desceu do Templo, ele não era mais um publicano. Ele subiu para o templo humilhado e desceu justificado. O fariseu subiu exaltado e desceu condenado.

Isso ensina para todos nós a receita da salvação, que consiste em reconhecer a nossa condição de pecadores, clamar pela infinita misericórdia de Deus, receber Seu perdão e permitir que Ele santifique completamente nossa vida como produto inevitável do perdão que Ele nos deu.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A escolha certa
Felippe Amorim



Algumas coisas são comuns a todos os seres humanos. Uma delas é a capacidade de escolher. Esta é uma das características que nos diferenciam do restante da criação. Todos os dias fazemos diversas escolhas. Escolhemos a roupa que usamos, o caminho que trilhamos para o trabalho, o canal de televisão que assistimos, o que comemos e etc. Todas as escolhas que fazemos sempre serão acompanhadas de consequências. Boas escolhas resultarão em boas consequências e vice-versa.

Na Bíblia encontramos muitos exemplos de boas escolhas e também de más escolhas. Quero focar um bom exemplo neste texto. O profeta Daniel foi um homem que fez muitas escolhas. Aqui colocaremos nosso foco sobre uma delas.


Momento de escolher


Daniel e seus três amigos haviam acabado de chegar a Babilônia como cativos de Nabucodonosor e por suas excelentes qualidades foram escolhidos como integrantes do grupo que estudaria para servir o rei no palácio.

Naquela situação eles foram colocados diante de diversas escolhas: Adorar a Deus ou aos deuses babilônicos, manterem-se firmes nos princípios ou relativizá-los, serem diferentes ou assemelharem-se aos outros jovens, enfim, foram muitas questões. Gostaria de focalizar uma das muitas decisões que eles tomaram: a escolha da alimentação que eles ingeririam.

Em Daniel 1:5 lemos: “Determinou-lhes o rei a ração diária, das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, ao cabo dos quais assistiriam diante do rei”.

            Em contraste com este texto lemos em Daniel 1:8: “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se”. Daniel já havia colocado previamente em seu coração a decisão de manter-se fiel a Deus. Não foi uma decisão de última hora.

            O texto é bem claro quando diz que ele foi “pedir” ao chefe dos eunucos permissão para não comer. Foi um pedido com humildade, o que certamente ajudou na decisão positiva a seu respeito. No entanto, a proposta de substituição da alimentação foi acompanhada de firmeza e confiança em Deus e em suas promessas. Daniel cria piamente nos bons resultados daquela dieta especial.

            Há uma pergunta importante para fazermos a esta altura do texto: Por que Daniel se recusou a comer naquele banquete?


Questões envolvidas.  


            Encontramos o primeiro motivo para a recusa de comer aquela comida na expressão: “não contaminar-se”. Primariamente a questão tinha relação com questões religiosas. A comida sobre a mesa havia sido oferecida aos deuses babilônicos e comê-la significaria participar da adoração pagã. Esse foi um forte motivo para sua recusa. Porém, este não foi o único motivo.

Daniel sabia que tipo de alimento era melhor para ele. Alguns pensam que Daniel estava recusando a comida apenas por aspectos religiosos. Como dissemos, primariamente ele estava preocupado com estas questões cultuais. Mas não era somente isso.

Outros pensam que Daniel recusou comer porque sobre a mesa existiam apenas carnes imundas. Se esta fosse a preocupação de Daniel, ele teria sugerido que servissem para eles alguns dos animais limpos relacionados em Levíticos 11. Mas não foi isso que aconteceu.

O pedido de Daniel foi específico. Ele queria Legumes e água, ou seja, queria comer o que originalmente Deus havia escolhido para os seres humanos. Encontramos a dieta original de Deus em Gênesis 1:29: “E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento”. A palavra original utilizada para “legumes” em Daniel capítulo 1 é “Zeroim”. Esta é a palavra hebraica utilizada para se referir aos alimentos de Gênesis 1:29.

Daniel, iluminado por Deus, sabia que precisava ter uma mente mais clara e um corpo mais saudável para vencer as batalhas que viriam. Ellen White afirma que a temperança na alimentação era um hábito do profeta: “Daniel poderia haver encontrado uma desculpa plausível para desviar-se de seus estritos hábitos de temperança; mas a aprovação de Deus era para ele mais cara do que o favor do mais poderoso potentado terreno - mais cara mesmo do que a própria vida” (Conselho Sobre Saúde, 64).

Inspirada por Deus, Ellen White resume o que aconteceu naquela sala de banquete: “A Daniel e seus companheiros, logo ao princípio de sua carreira, sobreveio uma prova decisiva. A ordem de que seu alimento deveria ser suprido da mesa do rei foi uma expressão do favor real, bem como de sua solicitude pelo bem-estar deles. Mas, sendo uma parte oferecida aos ídolos, o alimento da mesa real era consagrado à idolatria; e, participando da generosidade do rei, estes jovens seriam considerados como se estivessem unindo sua homenagem aos falsos deuses. Sua fidelidade para com Jeová proibia-lhes participar de tal homenagem. Tampouco ousavam eles arriscar-se aos efeitos enervantes do luxo e dissipação sobre o desenvolvimento físico, intelectual e espiritual” (Educação, 55).


A vontade de Deus para seus filhos


            Deus tem planos para todos os aspectos da vida de seus filhos, inclusive para a alimentação. Como filhos, temos o dever de nos submetermos à vontade do Pai celestial. A história de Daniel nos dá uma importante evidência de qual é a vontade de Deus para seus filhos em relação ao que devem comer.

            Mas Deus, em sua misericórdia, conhecendo o coração humano, resolveu ser mais específico e em 1963 deu uma série de visões à sua mensageira através das quais poderemos retirar todas as nossas dúvidas.

            Comentando a respeito do que alguns cristãos pensam em relação à decisão de Daniel, Ellen White escreveu: “Há muitos entre os professos cristãos hoje que denunciariam Daniel como tendo sido demasiado minucioso, julgando-o estreito e fanático. Consideram de mínima consequência a questão de comer ou beber, para que se reclame uma posição assim decidida - posição que envolve o provável sacrifício de toda vantagem terrena. Mas os que assim arrazoam verificarão no dia do juízo que viraram as costas a expressas exigências de Deus, tendo colocado sua opinião como norma do que é direito ou errado. Descobrirão que o que lhes parecia sem importância não era assim considerado por Deus. Suas exigências devem ser obedecidas religiosamente. Os que aceitam qualquer dos Seus preceitos e a eles obedecem por ser-lhes assim conveniente, ao passo que rejeitam outros porque sua observância demandaria sacrifício, rebaixam a norma do direito, e por seu exemplo levam outros a levianamente considerar a santa lei de Deus. "Assim diz o Senhor" (Zac. 8:3) deve ser nossa regra em todas as coisas” (Conselhos Sobre Regime Alimentar, 30).

Alguns costumam argumentar que foi Deus quem permitiu comer carne, portanto, isso não seria algo negativo. A Inspiração responde: “Depois do dilúvio o povo comeu à vontade do alimento animal. Deus viu que os caminhos do homem eram corruptos, e que o mesmo estava disposto a exaltar-se orgulhosamente contra seu Criador, seguindo as inclinações de seu coração. E permitiu Ele que aquela raça de gente longeva comesse alimento animal, a fim de abreviar sua vida pecaminosa. Logo após o dilúvio o gênero humano começou a decrescer rapidamente em tamanho, e na extensão dos anos” (Spiritual Gifts, vol. 4, págs. 121 e 122).

Deus não deixou margem para dúvidas. A vontade dele é que, de forma equilibrada e fazendo as devidas substituições, nos abstenhamos do alimento cárneo. Ellen White reforça: “Aqueles que professam crer na verdade devem guardar cuidadosamente as faculdades do corpo e da mente, de maneira que Deus e Sua causa não sejam de maneira alguma desonrados por suas palavras ou ações. Os hábitos e costumes devem ser postos sob sujeição à vontade de Deus. Cumpre-nos dispensar atenta consideração a nosso regime alimentar. Foi-me mostrado claramente que o povo de Deus deve assumir atitude firme contra o comer carne. Daria Deus por trinta anos a Seu povo a mensagem de que, se quiser ter sangue puro e mente clara precisa abandonar o uso da carne, se Ele não quisesse que eles dessem ouvidos a essa mensagem? Pelo uso de alimentos cárneos a natureza animal é fortalecida e enfraquecida a espiritual” (Carta 48, 1902 em Conselho Sobre Regime Alimentar, 383).


 Resultados da escolha certa.



Daniel e seus três amigos escolheram as coisas certas. O alimento que eles comeram contribuiu para o seu destaque físico e intelectual frente aos outros estudantes. “No fim dos dez dias, a sua aparência era melhor; estavam eles mais robustos do que todos os jovens que comiam das finas iguarias do rei” (Dn 1:15) e “em toda matéria de sabedoria e de inteligência sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino” (Dn 1:20). Ao escolherem a dieta original de Deus, eles receberam os benefícios físicos, intelectuais e espirituais.

            O contrário também é verdade. Quando escolhemos nos alimentar mal, as consequências nos alcançarão. Sofreremos efeitos tanto espirituais quanto físicos. “Quando nossa mente está embotada e parcialmente paralisada pela doença, facilmente somos vencidos pelas tentações de Satanás. Comer alimento insalubre para satisfazer ao apetite tem a positiva tendência de pôr em desequilíbrio a circulação do sangue, acarreta a debilidade nervosa, e em resultado há grande falta de paciência e de verdadeira, nobre afeição. A força constitucional, assim como o tono da moral e das faculdades mentais, são debilitados pela condescendência com o apetite pervertido”  (Nos Lugares celestiais, M.M. 1968, 193).

Cabe agora a cada um de nós decidirmos que tipo de alimentos iremos ingerir. A questão principal é: Escolheremos aqueles que mais nos agradam ou aqueles que mais agradam a Deus? Que Jesus Cristo nos ajude a escolher a opção certa.